Depois dos Quarenta: Moda

Moda


Oito marcas símbolo do DNA brasileiro mostram que as criações made in Brazil vão muito além do tropicalismo

 

FARM
Hoje os números registrados pela Farm são impressionantes. Mas sua estreia foi no estilo mais low profile possível: a marca nasceu com um estande na Babilônia Feira Hype, com um investimento inicial de apenas 1200 reais. A etiqueta comemorou 15 anos em 2012 com uma estrutura de gente grande: 53 lojas em 16 estados e mais 160 mil peças vendidas por mês. “Descobrimos que esse jeitão ‘estou de férias o ano inteiro’, cara do Rio de Janeiro, faz sucesso também em outras cidades”, conta a estilista Kátia Barros, que comanda a grife ao lado do sócio Marcello Bastos. A fórmula de sucesso da Farm é misturar a essência do lifestyle carioca com uma moda leve e superfeminina.


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POR QUE A FARM É A CARA DO BRASIL: toda it girl que se preze tem pelo menos um vestido da FARM em seu guarda-roupa. Cores fortes e estampas coloridas estão entre os destaques da label, conhecida por suas produções que vão da praia à balada sem tirar nem por.

ADRIANA BARRA
A história de sucesso de Adriana Barra começou nas páginas de ELLE. Uma amiga da estilista usou um de seus vestidos no editorial Oba! Esfriou, em julho de 2002, e não demorou muito para que uma chuva de pedidos inundasse o escritório da designer. Os famosos prints pelo qual é conhecida surgiram por acaso em meio às demandas da época. “Inaugurei minha primeira loja seis meses depois de aparecer na ELLE e foi aí que percebi na estamparia o meu forte”, relembra. Ao se dar conta da preferência, abraçou a causa e transformou os desenhos em carro-chefe de seus vestidos fluídos, reconhecidos mundo afora.


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POR QUE ADRIANA BARRA É A CARA DO BRASIL: A moda de Adriana é tão exuberante que nem os franceses escaparam do seu magnetismo: a Le Bon Marché caiu de amores pelas criações da estilista e as incluiu na Le Brésil Rive Gauche, ação especial criada na loja em homenagem à criatividade brasileira.

JO DE MER
Amália Spinardi reuniu conhecimento de mercado + tino comercial para fundar uma das marcas de beachwear mais comentadas do país. Editora de moda de títulos como CAPRICHO e ELLE, a empresária deixou o ramo editorial quando ficou grávida e, a partir daí, passou a ver a moda praia com outros olhos. “Meu corpo mudou e percebi que faltavam biquínis maiores e mais confortáveis”, conta. Quando Joseph completou dois anos, Amália criou a etiqueta e a batizou de Jo de Mer em homenagem ao herdeiro, “algo como Jo do Mar”. Seu lema é moda praia da vida real, por isso esqueça peças que não combinam com um bom bronzeado. “Faço biquínis descomplicados para mulheres que não querem ser o centro das atenções”, ressalta.


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POR QUE A JO DE MER TEM A CARA DO BRASIL: a empresária percebeu que, mesmo em território nacional, havia um público ávido por biquínis sofisticados e mais similares aos modelos europeus. “Minha ideia é que as clientes não precisem olhar a etiqueta para reconhecer uma peça Jo De Mer”, finaliza.

RONALDO FRAGA

Noel Rosa, Zuzu Angel e Carlos Drummond de Andrade. Além de grandes expoentes da cultura nacional, esses artistas têm mais um detalhe em comum: já serviram de inspiração para Ronaldo Fraga. Formado em estilismo pela UFMG, Ronaldo é diferente porque pensa fora da caixinha. Os anos que passou exterior – ele estudou na Parsons, em Nova York, e na Central Saint Martins, em Londres – serviram para que ele refletisse sobre os rumos da moda nacional. “Tive a oportunidade de analisar o país e percebi que as escolas que mais admiro usam muitas referências culturais a seu favor. Por que não podíamos fazer o mesmo?”, conta. O questionamento serviu como ponto de partida para uma carreira autoral, pontuada por inúmeros elementos tupiniquins.


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POR QUE RONALDO TEM A CARA DO BRASIL: o designer busca nas entranhas do país inspiração para suas coleções. Suas pesquisas costumam transcender as passarelas – o melhor exemplo é a expo Rio São Francisco Navegado por Ronaldo Fraga, extensão da coleção de verão 2009.

LENNY NIEMEYER
Rio de Janeiro, final da década de 1970. Apaixonada, Lenny acabava de desembarcar na capital ao lado do marido. Sem ter o que fazer na cidade, caçava biquínis cariocas para as amigas. “Um dia, resolvi usar alguns panos antigos para criar minha própria combinação”, recorda. “Mandei cerca de 20 peças para uma amiga vender e todas se esgotaram rapidamente.” Para a brincadeira virar negócio, foi um pulo. Lenny passou quase uma década criando biquínis para marcas como Fiorucci e Andrea Saletto até abrir seu primeiro ponto de venda, em 1995. “Fazia biquínis para outras marcas, por isso não tinha certeza se tinha uma identidade própria. No entanto, quando montei minha loja, percebi que imprimia meu estilo em tudo que vendia.” Cores fortes e estamparia moderna são marcas registradas da etiqueta, que já virou uniforme do high carioca.


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POR QUE A LENNY TEM A CARA DO BRASIL: a paulista foi um dos primeiro nomes a levar o beachwear para o asfalto e elevou às alturas o nível de sofisticação do segmento no país.

ISABELA CAPETO
Isabela Capeto precisou decolar no exterior para chamar atenção do mercado nacional. Formada em Florença, na Itália, a estilista passou pela equipe de marcas consagradas - entre elas Maria Bonita Extra -, antes de inaugurar sua própria label, em 2003. A partir daí, participou de showrooms internacionais, começou a vender em lojas como Barneys New York e Colette e só então estreou nas passarelas nacionais, em janeiro de 2004. Trocou o Fashion Rio pelo SPFW e depois se afastou das semanas de moda, após vender – e comprar novamente – parte da marca do grupo Inbrands. Hoje, ela se divide entre a grife e a Ibô, linha de difusão produzida apenas com sobras de materiais. “A proposta é uma etiqueta jovem e de preço acessível”, conta Isabela.


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POR QUE ISABELA TEM A CARA DO BRASIL: O charme das produções da estilista está em detalhes e aplicações trabalhadas nos mínimos detalhes. “O fato de morar no Brasil e ser carioca acaba transparecendo nas minhas criações”, opina. “Acho que o DNA brasileiro vem de forma natural, refletido no meu gosto pelo colorido.”

NEON
Para entender a Neon, basta olhar para os estilistas Dudu Bertholini e Rita Comparato. ”A marca é uma extensão do nosso estilo”, destaca Dudu. “Não é fruto de investimentos ou estratégias. Ela começou como um exercício criativo e é resultado de uma paixão comum.” Pode-se dizer que a tal ‘paixão comum’ nasceu nas salas de aula da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, onde a dupla se conheceu. A Neon virou realidade em 2002 e começou produzindo apenas maiôs artesanais. Cresceu, amadureceu e ano passado completou 10 anos com um currículo de causar inveja. As apresentações da marca sempre causam burburinho no SPFW – seja pelos cenários inusitados ou pelas roupas de pegada ultraexuberante.


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POR QUE A NEON TEM A CARA DO BRASIL: Dudu define como ninguém a brasilidade que a Neon carrega no sangue. “Acho que todo bom trabalho tem relação direta com seu lugar de origem. Somos brasileiros e estamos contaminados com o tropicalismo e a natureza do nosso país”, explica.

ADRIANA DEGREAS
Adriana herdou da família o gosto pelo luxo e descobriu com o marido a vocação de estilista. Quando era jovem, vivia no antiquário da avó, em meio a peças de labels como Alaïa, Courrèges e Pierre Cardin. No entanto, foi só quando trocou alianças com um dos herdeiros da indústria de moda praia Beira Mar que entrou de vez para o mercado. “Comecei a trabalhar na linha de produção e passei a entender um pouco do funcionamento de uma fábrica. Para conquistar meu espaço, tive que criar peças diferentes”, lembra. A experiência foi essencial para que Adriana desse o start em sua marca homônima. Doze anos, depois, ela comanda quatro linhas - Adriana Degreas, Bain Hotel 33, Le Petit Bain e Private Gym -, desfila no SPFW e exporta para França, Estados Unidos e Inglaterra.


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POR QUE A ADRIANA DEGREAS TEM A CARA DO BRASIL: Para ela, o segredo está no equilíbrio do DNA brasileiro com qualidade e excelência de materiais. “Quando abri minha marca, a necessidade de dizer que um produto era brasileiro aparecia em temas tropicais e no crochê. Procurei fazer o inverso e fugir do lugar-comum”, conta.

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