Depois dos Quarenta: Moda

Moda


A gaúcha Barbara Casasola debuta na LFW (e em nova fase)

  (Foto: Philippe Kliot)

Integrante da nova geração de estilistas brasileiros que decidiu estabelecer suas bases na Europa antes mesmo de se lançar por aqui (já ouviu falar em Lucas Nascimento, Paula Cademartori e Paula Gerbase?), Barbara Casasola fundou a grife que leva seu nome há apenas dois anos, mas suas conquistas lhe fazem parecer ter muito mais tempo de estrada. Em abril passado, Gwyneth Paltrow elegeu um macacão de seu inverno 2013-14 para a première de Homem de Ferro 3 em Paris. Uma das frequentadoras mais elegantes e carismáticas da primeira fila dos desfiles internacionais, a editora de moda Caroline Issa, canadense radicada em Londres, também é fã das criações da gaúcha e assumiu o múltiplo papel de madrinha, musa e consultora de sua marca.

Além de arrebanhar clientes de peso, Barbara conquistou o respeito da crítica e de seus pares: está entre os quatro finalistas do disputado Dorchester Fashion Prize, marcado para o próximo mês, que tem o chapeleiro britânico Stephen Jones, a estilista brasileira radicada em Londres Daniella Helayel e o joalheiro alemão Lorenz Bäumer entreos jurados. A última novidade? Barbara fará sua estreia no calendário oficial da London Fashion Week.

Seu desfile, que encerrou a programação do dia 15.09, teve como cenário a incensada galeria White Cube, onde também foram clicadas as fotos que ilustram estas páginas. “Com seu pé-direito altíssimo e piso de concreto polido, a arquitetura minimalista da galeria é perfeita para minha moda de linhas clean”, diz a gaúcha de 29 anos, que fez apresentações mais intimistas em Paris para mostrar suas três coleções anteriores, a última delas na Embaixada do Brasil no Cours Alberter. O début na London Fashion Week terá styling da sueca Erika Kurihara, do time da revista hype i-D, além de consultoria de Caroline Issa. “Barbara sabe o que quer, e suas coleções têm uma silhueta forte, bem definida, que ela deve continuar a explorar em seu trabalho”, aconselha Caroline.


  (Foto:  )

A tal silhueta a que Issa se refere tem como inspiração as vestes monásticas, que servem de base para longos de elegância atemporal que Barbara tem revisitado a cada estação. Para este inverno europeu, a estilista misturou o ótimo monástico a geometrias que remetem à série Metaesquemas, que marcou a obra de Hélio Oiticica no fim dos anos 50. Já as cores – vinho, lavanda e azul-celeste –vêm das pinturas de Fra Angelico, que celebrava temas religiosos no século 15. À venda em 35 butiques mundo afora, como a Harvey Nichols, em Londres, e a Joyce, em Hong Kong, além de e-commerces como o Moda Operandi, as coleções da brasileira são 100% produzidas num centenário ateliê em Florença.

Altamente focada no trabalho e boa de marketing, Barbara deixou Porto Alegre há dez anos para ganhar o mundo. Sua primeira parada foi em Londres, onde fez o foundation course (curso de pré-graduação) da Central Saint Martins. De lá seguiu para a Itália: primeiro estudou moda no Istituto Marangoni, em Milão; depois, mudou-se para Florença, onde integrou por dois anos a equipe de Roberto Cavalli. A influência pode não ser óbvia, mas ela conta que o italiano, sinônimo de maximalismo, foi seu grande mentor. “Com Cavalli aprendi a preciosidade do fatto in Italia: o rigor do corte, a minuciosidade da costura, o uso de tecidos ultradelicados.”

Quando decidiu lançar a própria grife, depois de três estratégicos anos em Paris, Barbara não teve dúvidas: retornou à capital inglesa. Hoje, vive e trabalha em um apartamento no bairro de South Kensington com seu companheiro na vida e nos negócios, o guapo canadense Laurence Moore. “Londres é ‘o’ lugar para um estilista jovem em busca de seu lugar ao sol”, diz, antes de se despedir correndo para embarcar mais uma vez para Florença, onde iria conferir de perto os últimos detalhes da coleção que apresentará na White Cube. Alguém duvida do sucesso? 


  (Foto:  )

Disputa Acirrada: três jovens talentos da moda made in UK são rivais da brasileira no Dorchester Prize.  Criado em 2010, o Dorchester Collection Fashion Prize vem se firmando como uma das principais vitrines mundiais para novos talentos da moda. Organizado pelo grupo de hotéis homônimo, já revelou nomes hoje em franca ascensão, como a grife de joias anndra Neen (2011), das irmãs mexicanas Phoebe e Annette Stephens; e a marca alemã Augustin Teboul (2012), que aposta no romantismo dark em suas coleções (e que acaba de desembarcar no Brasil, mais precisamente na multimarcas Dona santa, em recife).

Este ano, a disputa está acirradíssima: além de Barbara Casasola, três outros destaques da cena londrina concorrem ao prêmio, em 29.09.Aa neozelandesa Emilia Wickstead, a mais experiente do grupo, investe numa elegância clássica e tem Kate Middleton entre suas clientes. Já a Fyodor Golan, do duo Fyodor Podgorny e Golan Frydman (o primeiro é da letônia; o segundo, israelense), aposta em roupas de noite com shapes arquitetônicos com um quê de Anthony Vaccarello. O chinês Huishan Zhang, por sua vez, passou pela alta-costura da Dior antes de lançar sua marca, em 2011. Façam suas apostas!

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