Depois dos Quarenta: Moda

Moda


 

 Sara Battaglia, irmã de Giovanna, e suas 

bolsas superfashionistas

  (Foto: Fabio Leidi)

Orbitar o mundo da moda, você sabe, pode ser uma experiência bastante fria, para não dizer gelada. Editoras que fazem tipo, modelos adeptas do carão dentro e fora das passarelas, estilistas que parecem ter saído do berço já com aquelas olheiras. E ninguém tem mãe, pai, irmão. É como se a criatura tivesse se materializado nas Tuileries vestindo preto e escondida atrás de um bom par de óculos escuros, vinda do espaço. Há exceções, no entanto, e duas delas atendem pelo nome de Giovanna e Sara Battaglia.

A primeira você com certeza já cansou de ver borboleteando por aí. Ex-editora da Vogue Gioiello e da L'Uomo Vogue e atual editora de moda contribuinte da revista W, Giovanna é capaz de subir de vestido rodado e salto fino na garupa de uma bicicleta em plena semana de moda de Nova York só para fazer graça para os fotógrafos de plantão. Menos conhecida e cinco anos mais nova, sua irmã Sara é outra peça rara que deixa a entourage fashion bem menos tediosa. Juntas, as Bat sisters, como são chamadas, frequentam as melhores festas e não poupam esforços para chamar atenção – mas, ao contrário da conterrânea Anna Dello Russo, parecem mulheres de carne e osso, reais e factíveis, com namorados, pais, bons e maus dias. Elas a-do-ram se fantasiar e mergulham de cabeça quando o evento é temático, inserindo referências de moda a fantasias caricatas como as de Mulher-Maravilha e Medusa, por exemplo. Um verdadeiro balde de água fria na “blaselândia” com quem dividem a primeira fila dos desfiles, já que não têm medo de usar com gosto o que acontece nas passarelas.



Look No21, cinto, lenço e sapatos Miu Miu, brincos e colar Schield Collection e bolsa Sylva (Foto: Fabio Leidi)

E não pense que a montação é só em nome da foto que vai parar no Instagram: Giovanna e Sara abrem e fecham uma pista como ninguém, batendo os cabelos escuros ao som de qualquer coisa como se não houvesse amanhã. Se à noite as Bat sisters são inseparáveis, de dia cada uma segue um caminho profissional independente. Enquanto Giovanna atua em Nova York como stylist das mais inventivas, Sara se dedica de sua Milão natal à marca de bolsas homônima, lançada em 2010.Em pouco tempo, as “baby girls”, como ela chama suas criações, caíram no gosto de Miroslava Duma, Bianca Brandolini e da própria Dello Russo, e podem ser vistas essencialmente nos braços de iniciadas, já que não é em qualquer lugar que são vendidas e ainda não ganharam o mainstream. E Sara deseja que continue assim: em vez de conquistar mais pontos de vendas a cada ano, seu sonho é abrir loja própria, seguindo os passos do também italiano Gabriele Corto Moltedo, que tem butiques em Paris e Milão. Herdeiro da Bottega Veneta, que em 2001 foi vendida ao grupo Kering (ex-PPR), há nove anos Corto decidiu produzir clutches e chamou a então novata Sara para ser sua assistente. “Aprendi tudo com Gabriele e, hoje, acho que consegui imprimir um estilo só meu. Continuamos amigos, claro, mas por opção dele minhas bolsas nunca são assunto entre nós.”

Filha de um pintor e de uma escultora, Sara e seus irmãos cresceram rodeados por arte e sempre foram estimulados a desenvolver habilidades manuais. Além de Giovanna, há ainda um irmão galerista e o caçula, que é cenógrafo. Se não fizesse bolsas, Sara bem que poderia se dedicar à interpretação, já que desde que lançou sua marca é ela mesma quem posa para as campanhas, caracterizada de personagens que vão de Mia Wallace (papel de Uma Thurman em Pulp Fiction) a Linda Evangelista, passando por Regina Teodolinda, a rainha dos lombardos. Tudo fruto de sua imaginação e da parceria com profissionais top como o fotógrafo Gianpaolo Sgura, que mergulha na brincadeira sempre que a amiga aparece com uma nova ideia. “É um jeito diferente de mostrar meu trabalho, sem contar que é muito mais econômico que armar uma campanha convencional.”



Conjunto Prada, colar e anéis Mvg Jewel e bolsa modelo Teresa  (Foto: Fabio Leidi)

As duas coleções que lança por ano já geraram alguns hits, como a Jasmine, bolsa-saco enfeitada com borlas (super trendy), e a sofisticada Lady Me, clutch que recebe vários acabamentos e possui fecho metálico em forma de laço. Sua marca registrada, no entanto, são as tiras e franjas de couro. “Faço bolsas para mulheres que se movemo tempo todo, não acredito em mulher-estátua”, diz, o que também explica a leveza de modelos de couro que por vezes têm a alça toda franjada e podem levar mais de 70 horas para ficarem prontos. No lugar do logotipo, que Sara abomina, um triângulo de metal dourado.

Graças ao namoro com Ramzi Tabiat,diretor criativo da Al Ostoura, multimarcas de luxo do Kuait, suas franjas são best-sellers no Oriente Médio. E também fazem o maior sucesso com Linda e Cindy, as gatas gêmeas cor de café com leite que Sara adotou no início do ano. Quem acompanha o Instagram da designer nota que vira e mexe elas se acomodam dentro das bolsas, o que rende fotos e vídeos fofíssimos. Não resta dúvidas de que puxaram à mãe e à tia...

Sara já posou como Linda evangelista, Cindy Crawford, Marilyn Monroe e Sarah Jessica Parker em Sex and the City para suas campanhas (Foto: Reprodução)

Comentários do Facebook
0 Comentários do Blogger

Nenhum comentário:

Postar um comentário